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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

4- UMA PRIMEIRA VEZ




A luz que havia se apagou...
Enfrentarei a escuridão uma vez mais.
Mas, enquanto eu me refaço...
Tudo se desfaz.
Quem me dera essa minha força de vontade
Fosse verdadeira...
Nada disso me seria tão nocivo...
Eu já estou feito um fantasma vivo.
Dono e senhor de um destino morto.

Para onde eu irei agora?
Devo ir, na busca de um motivo?
A noite é tão escura e tenebrosa...
A lua não clareia o meu caminho...

As minhas pernas se arrastam...
A minha visão vasculha...
Minha tenência é dramática...
Minha necessidade é obscura.

E lá vou eu, treinado e sofrido.
Um soldado monstro...
Saído das fábulas de um conto.
Sou eu... Aquele ser famigerado e decidido.

Na minha face um olhar selvagem.
Na minha carne um desejo forte...
Se amanhã o meu rumo é a morte...
Hoje eu vou fazer o que preciso...
...No meu corpo uma febre incontrolável...
...Eu já não posso controlar minha libido.

Rua escura, cheiro de esgoto, vultos...
Eu confesso! Já estou perdido...
Alguém me abordou, foi de repente...
E o meu corpo cria uma distância do perigo.

O que é esse vulto que me ameaça?
... É uma mulher no escuro.
Ela se aproxima e se coloca em minha frente...
Se dizendo ser o que eu procuro.

Eu Vejo um corpo de mulher madura
Na solidão da noite em desencanto.
Um investimento a curto prazo,
Ela oferece a sua mácula para o santo.

Ela se oferece por um preço....
Ela se exibe e se insinua...
Mas o que é que somos realmente?
Dois grandes estranhos dividindo a rua.

O panorama muda...
Eu já não estou sozinho.
Mas a novidade não me deixa pressentir...
É muito difícil desatar o nó do colarinho
Um nó que não se pode definir.

Eu vou manipular o tempo...
Não perderei nem mesmo um segundo...
E vou me entregar a esse sentimento...
Vou aprender um novo ensinamento.

- Mulher venha comigo!
Vamos tomar um trago...
Eu quero ver então se combinamos.
Conversaremos e nos conheceremos.
E aos poucos nós iremos...
deixar de lado a cordialidade dos estranhos.

Um bom vinho serve de incentivo
- Não se acanhe! Venha brindar comigo!
Ao inferno quem está olhando torto.
Levante o rosto e encare o mundo...
Quem mexer com ela vai se ver comigo.

- A tua casa é barraco infestado.
Está repleta de baratas e ratos...
Baratas e ratos são as farturas do esfomeado.
Se você nunca comeu isso, você é pura.
Só Deus sabe as coisas que eu comi
Para conquistar o meu chapéu...

Feche a janela e tranque a porta...
E me ofereça os teus carinhos.

Na face, olhos certeiros e turvados...
Ela também tem um corpo preparado
e bem esclarecido...
Seria uma forte candidata para realizar
as obras de um soldado.

O meu triunfo é o de não estar sozinho.
Mas eu não sei o que fazer agora.
Eu sou apenas um cristão desesperado.
Com medo de morrer sem nunca ter amado.

Ela me percebe e me conforta...
Como ela descobriu a minha inocência?
Será que escapou de mim algum murmúrio?
Eu só não gosto de pisar em pedregulhos...
E não gostaria de cometer nenhum perjúrio.

- Então venha depressa! venha com teus beijos!
Venha sem mistérios, venha sem segredos...
Por favor, não venha indefesa...
Venha sem receios deixe a luz acesa.

Por um momento sou um homem sem princípios...
Libertado para os meus desejos,
Os desejos que outrora foram sempre reprimidos.
Mas eu jamais pedi para ser compreendido...
Se eu tenho com a história um compromisso.
Eu preciso conhecer os meus sentidos.

Entre tantos, os que irão comigo...
Eu posso fazer um bom serviço, não duvido.
Mas qual seria a minha grande verdade?
No final, todas as verdades são malditas.
Pois todas elas mostram com clareza...
O quão é insignificante é a nossa humanidade.

Meus castigos serão trazidos pelo tempo...
E quem sabe, arrastados para a eternidade.

Não! Eu me contradigo sem remorsos...
A minha verdade é aquela
que eu estou vivendo neste momento...
Pois eu não posso controlar
o que eu estou sentindo.
E mesmo que sejam falsos os seus sussurros,
junto ao meu ouvido...
Eu não me sinto mais perdido.
Pois somente agora eu entendo a natureza,
O meu real motivo torna-se agora uma certeza.

Um céu nublado trouxe a chuva...
E o vento forte converteu em tempestade.
Eis aqui um rei sem trono!
O valente que perdeu a majestade.

- Tu me amas? Ela pergunta.
- Claro que te amo, não estou contigo?
E mesmo que não tenhas uma boa fama...
Essa noite tu serás meu paraíso.

Ah! Quanto vale a mentira?
quanto vale a miséria de um mendigo?
Mas o fogo queima...
E com ele uma verdade se revela...
Tudo o que ela me oferece...
...No final das contas..
É aquilo que eu mais preciso.

O vinho em minha boca...
O paladar de um beijo...
... E tudo se renova.

Grandioso é o sentimento...
Ele faz que o monstro adormeça.
Enquanto lá fora a tempestade cai.
A inocência terminou completamente.
E o meu último temor foi vencido.

A verdade é que eu não compreendo a lógica
Desse... Ato... Só a necessidade é fato.

Amanhã eu sei tudo se acaba...
Pelo menos o mistério foi esclarecido.
Também sei que esse abraço vale mais
Que todo o meu passado reunido.

- Esse mesmo abraço nos transformou em amantes...
- Mas você sabe o que eu sou...
- Não, eu não sei... Sei apenas o caminho...
... O caminho onde eu te encontrei...

- Você é tão educado...
- Eu diria de mim... Desajustado...
... Eu sofri um pouco para me tornar disciplinado.
...O que eu tenho mesmo é uma voz fria...
...Qualquer pessoa que venha a ouvir a minha voz...
... Por um período muito prolongado, se resfria.

- Você é Soldado?
- Não. Eu sou o teu aprendiz...
- E o que deseja aprender com uma... Meretriz?
- A sentir.. Meu sentimento é fraco.
- Entendo... Mas eu não posso te ensinar isso...
... Pois o meu sentimento é nenhum... Eu sou apenas
Uma máquina...
- Mas eu não estou falando com você...
Eu estou falando com a máquina.

- Entendi... Somos duas máquinas não é?
- Somos o que devemos ser. E aceitamos isso. Você
é um amor pra vida toda...
- Sou?
- Eu vou levar essa experiência comigo...
- Eu gostaria que fosse verdade...
- Neste momento é nisso que eu acredito. E eu
Sou um cara afortunado...  Você tem um lindo corpo...
Sou ou não sou um homem de bom gosto...
- Sim você é...

O que eu deveria dizer pra ela?
Nos braços dela eu não era ninguém...
Pois de nada servia a minha identidade.
E depois, o meu sentir era a minha única prioridade.

Não mais me incomodo se o mundo gira...
Ou se o homem é o dono absoluto de todas as mentiras.
O que seria o meu agravante? Eu apenas chegaria atrasado.
Partiria na segunda leva de soldados.
Os agravantes podem tornar grandes os desvios...
Na louca, estranha História de uma vida.

Por mais estranho e repressor que fosse o meu pensamento,
O meu caminho já estava definido








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