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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Almas Perdidas



 Ela entregou-se calma, formosa, cristalina,
Sensível e destemida, ao amor gentil.
Forma-se então a aliança preciosa e rara.
Mas o valor do amor real, ela jamais sentiu.

Mentiras e verdades foram proclamadas...
Qual é a fórmula calculada para a tua existência?
Acaso alguma fórmula já foi elaborada?

Movidos pela gana de querer e possuir...
Qual de vós possui a estratégia mais ousada?

Ela entregou-se pura, prestativa, dadivosa,
Virtuosa e decidida, por um preço vil...
Rasga-se então o véu da inocência original.
E o infinito inteiro se abriu.

O que eu sou? 
Seria eu, aquele que eu queria ser?
Você diz isso e aquilo de mim...
E nem percebe que aos poucos,
A tua garganta se emudece.

O que eu sou?
Meu cabelo é grande, minha voz é grave!
E a minha pele é uma mistura...
Misturado sou pela união das raças. 
Se não fosse isso, eu não teria o ar.

Tudo se movimenta pela nossa respiração.
Tudo se modifica pela nossa inspiração.
E o que alimenta a nossa mentalidade, é o pensamento.

Quanta injustiça por você foi proclamada?
Quanta injustiça por você foi praticada?

Qual o fenômeno dessas tuas estranhas guerras?
Acaso alguém se tardará um dia em campo de batalha?

Donos são os homens de suas mentiras...
Mas somente as verdades são inesperadas.

Então que se libertem as almas escravas...
Pois não é meu o Juízo de vê-las trancadas
Soterradas na escuridão de suas vidas,
Imersas todas entre tudo e nada.

Não sou mero acaso... Existo desde outrora.
Eu mastigo as tuas mentiras...
E aos poucos eu me torno o sério...
Focalizo sempre a minha visão no futuro.


O que é o teu tempo? 
Um desperdício?


Qual parasita é esse, o parasita do homem?
Qual o senhor dos homens se proclama?

Qual senhor dos homens se coloca em tua frente?
Qual senhor dos homens te engana?

Qual senhor dos homens te promete
Um alívio para essa tua dor?

Eu sou o meu próprio hospedeiro...
Aqui não cabe outra coisa, além de mim.
De resto eu acolho a quem me dá ouvidos.
Pois quem ouve mentaliza o que é preciso.

O meu tempo te mastiga aos poucos...
E nem mesmo o senhor dos homens vencerá o tempo.
O meu dedo apontará o caminho... O caminho de casa.

Nada sou... 
Tudo eu sou...
E o meu tempo
 irá roer os teus ossos.
Pela tua vontade 
Eu nada sou...
Mas por vontade própria, 
Eu sou tudo.

Esbarrarei contigo, nos dois lados da cerca.
Esbarrarei contigo na tua transição...
Farei isso, somente para lhes dizer da tua semeia.
Farei isso para lhes dizer quem você é.

Qual o processo lento? 
Qual a marca inevitável?
Qual selvagem ser que outrora disse:
- Deus da selva eu sou.
Qual é a tua armadilha? 
Quem é o ladrão do homem?

Você disse outrora:
 - Me dê o bem e o mal.
Você disse outrora: 
- Não existe Deus além de mim.

E você disse: 
- Sou o maior de todos.

Ela entregou-se fria, mórbida, sombria...
Lastimosa e temerosa. Ao amor servil...
E criado foi o engenho, ardiloso e festivo...
Ela se fez carne para os lobos do covil.

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